Na Grécia antiga, a natação era uma necessidade higiênica e a elite romana era fanática com o mar. Com a queda do império romano, em 476 d.c., o lazer proporcionado pelo mar e a praia é substituído pelo medo, pavor e proibição. Já na idade média, o paraíso era o monastério e o banho não era considerada atitude de um bom cristão. Acreditava-se que a pressão e o calor das águas abriam os poros, penetrando na pele e o corpo não poderia ser exposto às influências nocivas do ambiente externo. O sentido da limpeza era manifestado nas roupas e não no corpo. A aversão à água era tão grande que acabava ocorrendo uma “praiafobia”. O oceano era impróprio para a vida terrestre onde residia o poder do inferno. Mesmo na bíblia, o novo testamento reforçava essa visão do mar como uma arma de Deus; pois o apocalipse poderia ser a elevação das águas.
O impacto do Grand Tour na história representou uma mudança revolucionária, principalmente por tratar de interesses na saúde. Eram comuns viagens para lugares que oferecessem banhos considerados medicinais. Algumas cidades européias bastante conhecidas pelas águas termais foram Bath (Inglaterra) e Spa (Bélgica). A invenção da estação termal é de origem britânica, como também o banho de mar como terapia e penitência. Assim surgiram várias terapias medicinais. Existiam regiões onde os médicos permaneciam nas estações de banho acompanhando os visitantes e por conhecer a composição das águas, prescreviam a quantidade de banhos que cada pessoa deveria tomar. A possibilidade de viajar aliando a idéia de terapia de cura com os banhos ficou restrita a aristocracia. Já a burguesia se preparava para a busca do lucro na atividade.
É importante ressaltar que as pessoas comuns já se reuniam na praia por muitos séculos e as famílias da classe operária tinham o mar como recreação e não como atividade terapêutica. Assim dava-se início a viagens em busca de lazer no litoral, o que prenunciava o desenvolvimento da atividade turística. Surgiram os hotéis para acolher esta população e os médicos convenciam as pessoas a consumir esses novos produtos relacionados a natureza. Não eram as pessoas que escolhiam e decidiam o que consumir. Eram os empreendedores, os criadores dos produtos que iriam conduzir o desejo dos viajantes. O que interessava ao viajante era a possibilidade de consumo do lugar. Consumia-se a praia, o ar da montanha (ar puro utilizado para tratar a tuberculose), como local de cura e este era o mecanismo utilizado pelos empresários do turismo para gerar lucros.
No Brasil a região de Campos do Jordão (SP), Caldas Novas (GO) constituem exemplos de turismo de cura. Na cidade paulista as pessoas seguiam em busca de ar puro de montanha e em Caldas Novas os banhos de água quente com o intuito de cura. Atualmente, estas localidades recebem visitantes interessados em turismo e o interesse no tratamento de saúde foi perdendo importância. Hoje sabe-se que aquelas águas tem um efeito apenas terapêutico e não de cura. (Barbosa 2002:46)